O protagonismo feminino no agro brasileiro

Uma pesquisa inédita realizada pela consultoria Quiddity, em parceria com a Bayer, intitulada “Produtoras rurais e a inovação no campo”, mostra em números e depoimentos aquilo que já é visível nas propriedades rurais em todas as regiões do Brasil: as mulheres estão inovando, sustentando e redesenhando o agronegócio.

Fonte: Envato

O levantamento, que ouviu produtores e produtoras rurais de diferentes perfis e regiões, buscou compreender como as mulheres estão inseridas nas dinâmicas de inovação, sustentabilidade e protagonismo no setor.


Além da etapa quantitativa, que contou com entrevistas com 90 produtores (metade mulheres), a pesquisa também incluiu entrevistas qualitativas com produtoras reconhecidas em seus territórios, muitas delas vencedoras ou finalistas do Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa criada pela Bayer em parceria com a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio).


Os dados revelam uma percepção bastante clara: 93% dos entrevistados acreditam que a mulher tem papel relevante no agronegócio. Para 80% deles, elas são criativas, questionadoras e inovadoras, com capacidade de propor novas ideias e agregar valor à sustentabilidade e aos processos produtivos.


Essa percepção está ancorada em fatos concretos: 89% das mulheres ouvidas realizam rotação de culturas, 87% preservam áreas nativas, 82% utilizam o plantio direto e 80% adotam bioinsumos e práticas de agricultura regenerativa. Esses números são superiores à média nacional e mostram que, quando têm protagonismo, as mulheres tendem a adotar práticas sustentáveis com mais rapidez e consistência.


No entanto, a pesquisa também traz à tona uma contradição que merece atenção: embora haja reconhecimento generalizado da relevância feminina, 39% dos entrevistados afirmam que a liderança exercida por mulheres ainda não é vista como algo natural.


Em outras palavras, as produtoras estão na linha de frente, implementando mudanças e gerando resultados, mas muitas vezes permanecem invisíveis ou sub-representadas nos espaços formais de poder e decisão.


Apenas 6% dos respondentes relataram perceber mulheres em cargos de liderança efetiva e 3% as enxergam na gestão direta das propriedades. Essa lacuna revela uma cultura ainda marcada por assimetrias, na qual a contribuição feminina é sentida no dia a dia, mas nem sempre reconhecida com o devido destaque.


Outro ponto central do levantamento é a busca ativa por capacitação. Mais da metade das mulheres entrevistadas (51%) afirmam procurar cursos e treinamentos de forma contínua, e outras 22% participam sempre que percebem necessidade.

Fonte: Envato


Essa postura proativa evidencia um perfil de liderança em construção: são mulheres que buscam conhecimento não apenas para executar, mas para decidir e transformar.


Quando perguntadas sobre os temas prioritários, 76% apontaram a sustentabilidade como principal área de interesse.


A partir desses dados, percebe-se que a mulher rural está profundamente conectada com as transformações do setor, especialmente com a agenda ambiental, social e de governança, que hoje molda as exigências de mercado, certificações e exportações.


Essa conexão com a sustentabilidade não é acidental. Como destacou Marina Menin, diretora do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina, “realmente a mulher está preocupada em se capacitar para conseguir fazer valer seu ponto de vista.”


Esse posicionamento sintetiza bem um movimento crescente: as mulheres no campo não querem apenas estar presentes, querem ser ouvidas e reconhecidas como protagonistas de uma agenda estratégica para o futuro do agronegócio. Elas trazem uma forma de gestão mais conectada com o longo prazo, com o cuidado com os recursos naturais e com a responsabilidade intergeracional.


Além disso, a pesquisa da Quiddity mostra que as mulheres também estão avançando no uso e no interesse por novas tecnologias.


Embora ainda em menor escala, já há um movimento consistente em direção à digitalização e ao uso de soluções inteligentes no campo.

Fonte: Envato

Entre as tecnologias citadas como prioritárias, aparecem softwares de gestão (33%), mapeamento de solo (29%) e ferramentas para uso eficiente de água e energia renovável (27%). Isso indica que, após consolidar práticas sustentáveis, o próximo passo das produtoras tende a ser a incorporação de inovação tecnológica mais sofisticada, ampliando sua capacidade de gestão e produtividade.

As vozes femininas que participam do movimento


Rebeca Gharibian, diretora-geral da Quiddity, afirmou que as mulheres têm a sensibilidade de perguntar “e se eu fizer isso de outra forma”, além da coragem de transformar questionamento em novas ideias e, mais ainda: em ações.


Essa visão resume uma das maiores contribuições femininas no agro contemporâneo: a capacidade de questionar modelos tradicionais e propor caminhos novos.


Já Daniela Barros, diretora de Comunicação da divisão agrícola da Bayer, destacou que “investir na mulher do agro é investir no futuro do setor, na continuidade do trabalho para as próximas gerações”. A frase traduz de forma direta como a participação feminina se tornou estratégica para a sustentabilidade econômica e social do campo.


Também é fundamental romper barreiras culturais que ainda associam a figura do líder rural majoritariamente ao homem. Esse processo passa por comunicação, exemplos de sucesso e criação de referências inspiradoras.


Como lembrou Marina Menin, “muitas vezes, é uma questão de inspiração de exemplo. Se a gente não tem referência, às vezes, a gente acha que nem pode sonhar”.


Outro ponto fundamental destacado pela pesquisa é a importância das redes femininas no agro. Cerca de 89% das produtoras afirmaram que participar de grupos e eventos voltados para mulheres fortalece sua atuação, amplia sua autoconfiança e cria conexões que ajudam a abrir portas.

Essa rede de apoio não é apenas simbólica; ela cria condições práticas para troca de experiências, acesso a conhecimento e fortalecimento coletivo. Em um setor historicamente concentrado e de cultura mais tradicional, a criação de espaços de apoio entre mulheres representa uma força transformadora.

Fonte: Envato

O agronegócio brasileiro é reconhecido mundialmente por sua produtividade, tecnologia e capacidade de expansão. Mas para sustentar esse protagonismo no longo prazo, precisará também avançar em governança, inclusão e inovação social. As mulheres do agro estão prontas para ocupar esse espaço. Elas já provaram que sabem produzir, inovar e sustentar práticas avançadas. O próximo passo é garantir que tenham voz e lugar formal nas estruturas de liderança.


Como sintetizou Daniela Barros, “investir na mulher do agro é investir no futuro do setor”. Um futuro que já começou.

Da redação Lonax Play.
Lincoln Gomide, Jornalista Responsável.
Com revisão da equipe de Comunicação da Lonax.

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