Irrigação e fertilização conjugados: produtividade aumentada

A fertirrigação pode ser uma palavra desconhecida e até complicada mas entra em cena como uma das mais importantes ferramentas de eficiência no agronegócio brasileiro, especialmente nesse momento em que a produção precisará crescer de maneira mais sustentável, previsível e racional no uso de insumos.

Em novembro de 2025, a Mosaic Company anunciou oficialmente sua entrada no mercado brasileiro de fertirrigação, estimando que o setor, que hoje gira em torno de 1 milhão de toneladas por ano, alcance 4 milhões de toneladas até 2030.

Fonte: Redes Sociais

A empresa, que tradicionalmente domina o mercado de fertilizantes minerais, passa a atuar também na aplicação via irrigação, impulsionada pelo crescimento das áreas irrigadas e pela demanda crescente por tecnologias que elevem a produtividade sem ampliar a pressão ambiental.

A decisão da Mosaic ocorre em um cenário em que apenas 10% da área agrícola brasileira é irrigada (cerca de 9 milhões de hectares) mas todo o conjunto de estudos da Embrapa, CNA e instituições internacionais aponta para um processo acelerado de expansão dessa infraestrutura, especialmente em culturas de alto valor, como hortaliças, citros, café e cana.

Esse movimento se insere num contexto em que o mercado de fertilizantes no Brasil como um todo alcançou a marca de US$ 35,7 bilhões em 2024 e deve atingir quase US$ 50 bilhões até 2030, segundo estimativas de consultorias internacionais.

A fertirrigação representa uma fatia específica, mas estratégica desse conjunto, graças à sua capacidade de entregar nutrientes diretamente no momento em que a planta mais precisa, com altíssima eficiência e baixas perdas por lixiviação ou volatilização.

Fonte: Envato

Em diversas regiões, principalmente no Sudeste e no Nordeste irrigado, experimentos e análises técnicas vêm mostrando incrementos recorrentes de 20% a 30% na produtividade quando o manejo é conduzido de forma ajustada ao ciclo fisiológico da cultura.

Esse ganho se soma à redução do tráfego de máquinas no campo, ao menor consumo de fertilizante por unidade de produção e ao uso mais racional da água. Fatores relevantes tanto na lógica econômica do produtor quanto no atendimento às pressões ambientais e de mercado.

A Mosaic também chama atenção ao enfatizar a combinação entre fertilizantes minerais tradicionais e soluções biológicas como microrganismos, extratos de algas e fungos benéficos, criando uma nova linha de produtos desenhada especialmente para fertirrigação.

O crescimento dos biológicos no Brasil tem sido expressivo: os produtos dobraram em vendas nos nove primeiros meses de 2025 e a empresa deve fechar o ano com quase US$ 70 milhões nesse segmento. Esse avanço indica que a nutrição vegetal está deixando de ser apenas um pacote NPK e passando a integrar microbiologia do solo, fisiologia vegetal e aplicações de precisão, criando um padrão novo de manejo. Com isso, a própria fertirrigação deixa de ser vista como um simples método de aplicar adubo pela água e passa a ser interpretada como uma plataforma completa de distribuição de soluções nutricionais, fisiológicas e biológicas.

Fertirrigação exige recursos e capacitação técnica

Entretanto, apesar das vantagens, estudiosos do setor lembram que a adoção ainda esbarra em desafios práticos. A instalação de sistemas de irrigação e fertirrigação exige investimento inicial relevante, o que limita a expansão em propriedades menores ou com baixa capacidade de crédito. Além disso, a dependência brasileira de fertilizantes importados (permanece acima de 80%) mantém o país vulnerável às oscilações cambiais, à logística internacional e a crises geopolíticas.

A fertirrigação também depende de uma rotina técnica mais rígida do que a adubação convencional: demanda análises frequentes de água, solo e solução nutritiva, controle de pH, condutividade elétrica e calibração contínua dos dosadores. Por isso, requer maior capacitação de mão de obra ou suporte técnico especializado.

Ainda assim, regiões que já utilizam fertirrigação relatam mudanças significativas na competitividade. No Oeste da Bahia, no Vale do São Francisco e no Noroeste Paulista, produtores de manga, uva, citros e café têm conseguido produzir mais, com menor variabilidade e desperdício, além de melhor padronização de frutos destinados à exportação.

Fonte: Envato

Técnicos da Embrapa Semiárido afirmam que o perfil da fertirrigação no Brasil evoluiu nos últimos dez anos: se antes era uma técnica associada a cultivos de nicho, hoje se estende a sistemas de gotejamento em cana, pivôs em soja para etapas específicas, hortifrúti em larga escala e fruticultura irrigada com forte competição global. Esse processo deve se intensificar conforme a irrigação avança e os custos de infraestrutura caem, favorecendo regiões tradicionalmente limitadas pela irregularidade de chuvas.

A entrada da Mosaic, portanto, funciona como um marco. Quando um dos maiores players de fertilizantes do mundo decide incorporar fertirrigação como uma frente estratégica, o mercado entende que não se trata mais de uma tecnologia periférica, mas de um eixo central da nutrição vegetal para a próxima década.

Fonte: Envato

Essa sinalização tende a mobilizar distribuidores, cooperativas e revendas, que precisarão se adaptar para oferecer assistência técnica mais especializada e suporte contínuo ao produtor. Em muitos casos, a fertirrigação exige mudanças estruturais no manejo de solo, o que significa que o produtor não adota apenas um novo método de aplicação, mas todo um novo paradigma agronômico.

Os amplos benefícios e vantagens da fertirrigação

As consequências práticas para quem produz são claras. A fertirrigação permite aplicar nutrientes de forma parcelada, contínua e ajustada ao estágio fenológico da planta, o que reduz picos de deficiência e evita desperdícios.

A técnica também cria um ambiente mais favorável ao uso de biológicos e estimula um manejo de solo mais vivo, com maior atividade microbiana. Em um cenário de volatilidade global de insumos, cada quilo de fertilizante utilizado com eficiência deixa de ser custo e passa a ser investimento.

Por isso, especialistas apontam que a fertirrigação poderá contribuir não apenas para ganhos de produtividade, mas para redução de impacto ambiental e aumento da resiliência das lavouras, especialmente quando combinada com tecnologias de monitoramento, sensores, automatização e inteligência de dados.

Assim, o movimento da Mosaic não apenas aponta para um mercado que pode quadruplicar em menos de cinco anos, mas reforça que o futuro da nutrição vegetal no Brasil passará necessariamente por integração entre minerais, biológicos, manejo de solo e irrigação de alta eficiência.

Para produtores, técnicos, distribuidores e empresas que atuam na cadeia – inclusive aquelas que, como a Lonax, produzem insumos estruturais para a agricultura – entender essa dinâmica será decisivo para antecipar tendências, ajustar estratégias e posicionar-se com clareza diante de um agro cada vez mais competitivo, tecnológico e orientado a resultados.

Da redação Lonax Play.
Lincoln Gomide, Jornalista Responsável.
Com revisão da equipe de Comunicação da Lonax.

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