O aumento dos custos logísticos tornou-se um dos principais fatores de pressão sobre as cadeias de suprimento no Brasil.
Em um país no qual a grande maioria dos transportes de produtos e mercadorias (cerca de 60% a 65%) e das cargas são transportadas por rodovias, a forte dependência desse modal expõe empresas à volatilidade dos combustíveis, pedágios e custos operacionais.
Para distribuidores, atacadistas e compradores corporativos, essa realidade impacta diretamente margens, prazos e disponibilidade de produtos, e afetam e impactam desde materiais de construção até alimentos e insumos agrícolas. Praticamente toda a cadeia produtiva nacional.

Custos de transportes no Brasil acima da média
Os custos logísticos brasileiros equivalem a cerca de 15,5% do PIB, percentual superior ao de economias desenvolvidas, onde o índice gira abaixo de 10%.
Esse peso reflete gargalos históricos de infraestrutura e baixa integração entre modais.
Dentro dessa conta, o transporte responde pela maior parcela e pode representar até 15% do preço final de produtos, especialmente em cadeias longas como alimentos e materiais básicos.

A volatilidade do diesel continua sendo o principal vetor de pressão. Como o combustível representa aproximadamente um terço do custo operacional do transporte rodoviário, oscilações impactam imediatamente o valor do frete e, consequentemente, os preços ao longo da cadeia. Esse efeito é intensificado por pedágios elevados, manutenção mais cara, condições precárias da malha rodoviária brasileira e envelhecimento da frota nacional.
Frete mais caro e impacto direto na construção civil
No setor da construção civil, a logística exerce papel determinante na formação de custos. Materiais como cimento, aço, areia e brita possuem baixo valor agregado e grande volume, tornando o frete um componente crítico.
Em determinadas obras, o transporte pode representar até 20% do custo de insumos pesados.
Como os materiais básicos compõem grande parte do custo das obras, variações logísticas impactam diretamente o Custo Unitário Básico (CUB), indicador que serve de referência para o mercado imobiliário.
A logística em canteiros também influencia prazos e custos. Obras com espaços reduzidos exigem entregas fracionadas, aumentando o número de fretes e o custo total do projeto.
Entre 2021 e 2024, construtoras relataram aumentos relevantes nos custos de transporte e insumos, pressionando margens e exigindo replanejamento constante. Esse cenário ajuda a explicar a volatilidade recente nos preços de obras e reformas em grandes centros urbanos.

Agronegócio: frete elevado encarece alimentos e exportações
No agronegócio os custos logísticos são ainda mais sensíveis devido às longas distâncias entre áreas produtoras e portos.
O transporte rodoviário responde por cerca de 62% da movimentação logística nacional e pode representar até 15% do preço final dos alimentos.
A safra recorde estimada em 2025 (produção entre 346 e 352 milhões de toneladas, salto de 18,2% em comparação com a de 2024) pressiona a demanda por caminhões e tende a elevar o valor do frete nas regiões produtoras.
Em anos de supersafra, a competição por transporte aumenta e os custos logísticos podem subir entre 15% e 20% durante o pico de escoamento.
Segundo análises do setor logístico, a alta do transporte pode elevar os custos totais do agronegócio entre 6% e 10%, especialmente em cadeias exportadoras. Esse aumento reduz a competitividade internacional dos produtos brasileiros, sobretudo em mercados sensíveis a preço, como soja, milho e carnes.
Outro gargalo é a armazenagem. O Brasil possui capacidade inferior à produção total de grãos, obrigando produtores a escoar rapidamente a safra, muitas vezes em momentos de frete elevado. Essa limitação reforça a dependência do transporte rodoviário e aumenta os custos logísticos.
Escassez de frete e efeito dominó nas cadeias produtivas
A disponibilidade de transporte tornou-se um gargalo recorrente. Durante o escoamento das safras e picos de consumo, a oferta de caminhões não acompanha a demanda, provocando atrasos e elevação de preços. Exportações aquecidas e colheitas concentradas intensificam a pressão sobre o transporte, elevando custos para produtores e distribuidores.
Na construção civil, atrasos na entrega de insumos podem paralisar obras e gerar custos adicionais com mão de obra e equipamentos. No agronegócio, atrasos comprometem janelas de exportação e a qualidade dos produtos.
Esse efeito dominó impacta toda a cadeia: a indústria aumenta lotes mínimos para diluir fretes; distribuidores ampliam estoques e capital de giro; o varejo enfrenta rupturas; e o consumidor final arca com preços mais altos.
Estratégias para reduzir impactos e aumentar eficiência
Diante desse cenário, empresas dos setores de construção e agro vêm adotando estratégias para mitigar custos logísticos.
A consolidação de cargas e compras programadas permite reduzir o custo por tonelada transportada. Centros de distribuição regionais aproximam estoques dos mercados consumidores e reduzem distâncias.
No agronegócio, investimentos em armazenagem e terminais intermodais ajudam a reduzir a dependência do transporte rodoviário. A expansão da cabotagem e ferrovias busca aumentar eficiência no escoamento da produção.
A tecnologia também se tornou aliada estratégica. Sistemas de roteirização e gestão de transporte podem reduzir custos logísticos em até 15%, além de melhorar a previsibilidade operacional. Monitoramento em tempo real e análise preditiva permitem antecipar gargalos e otimizar rotas.
Logística estratégica define competitividade
Especialistas apontam que a eficiência logística é determinante para a competitividade econômica. Gargalos estruturais e baixa integração modal elevam custos e reduzem produtividade, enquanto investimentos em infraestrutura e gestão podem gerar ganhos expressivos.
No setor da construção civil, logística eficiente reduz desperdícios, evita atrasos e melhora a previsibilidade financeira das obras.

No agronegócio otimizar transporte e armazenagem é essencial para manter competitividade global e preservar margens em cadeias exportadoras.
Em um ambiente de custos elevados e consumidores sensíveis a preços, a logística deixou de ser um suporte operacional e passou a ocupar posição central na estratégia empresarial.
Planejamento, integração modal e uso de tecnologia serão decisivos para garantir abastecimento, competitividade e sustentabilidade das cadeias de suprimento no Brasil.
Da redação Lonax Play.
Lincoln Gomide, Jornalista Responsável.
Com revisão da equipe de Comunicação da Lonax.
