A área de suprimentos deixou de ser um departamento que faz as compras para se tornar um centro nervoso de inteligência estratégica.
Em setores industriais altamente competitivos como o de manufatura de lonas, geomembranas e soluções técnicas em polímeros, o suprimento certo com o custo equilibrado e dentro de padrões rígidos de qualidade determinam a eficiência da produção, o ritmo de entregas e a capacidade de expansão da empresa.
Na Lonax, essa transformação ganhou velocidade nos últimos anos, acompanhando o crescimento consistente da companhia, a diversificação de produtos e a ampliação de mercados. E é nesse cenário que a liderança na área de suprimentos assume papel decisivo para sustentar a competitividade e a visão de futuro da empresa.
Fábio Gomes, profissional com mais de 25 anos de atuação em Compras, Logística e Suprimentos, é um exemplo dessa nova geração de líderes que unem técnica, estratégia e governança.

Sua trajetória inclui passagens por empresas nacionais e multinacionais, comandando equipes e reestruturando áreas críticas com foco em eficiência, compliance e desempenho sustentável.
Com certificação Green Belt Six Sigma, Fábio traz uma visão técnica baseada em análise de dados, melhoria contínua e mapeamento de processos. Ao longo de sua carreira, liderou equipes numerosas, implantou políticas de compras com foco em integridade e criou mecanismos rigorosos de controle, fundamentais para manter padrões elevados em cadeias de suprimentos complexas.
Entre suas entregas estruturantes está a reestruturação completa da área de suprimentos, com implementação de KPIs, metodologias de gestão, padronização de processos e reforço da cultura de eficiência. Essa reestruturação permitiu ampliar o controle sobre os ciclos de compra, melhorar previsibilidade, reduzir desperdícios e aumentar a geração de valor interno.
Para uma empresa industrial de grande porte como a Lonax, a área de compras não apenas abastece a produção; ela sustenta todo o modelo de negócios; matérias-primas de qualidade moldam o desempenho dos produtos.
Uma cadeia de suprimentos tecnicamente bem conduzida garante previsibilidade, evita paradas, melhora a relação com clientes internos e assegura resultados financeiros consistentes.
Há exatamente um ano Fábio assumiu a Gerência de Suprimentos da Lonax e conversou com a redação Lonax Play sobre esse tempo até aqui – o cenário encontrado, as modificações e melhorias – e planos para otimizar ainda mais a aquisição de suprimentos e a alimentação da cadeia logística da empresa.

Lonax Play – Como você enxerga a transformação da área de suprimentos no Brasil nos últimos anos especialmente em empresas industriais de grande porte?
Fábio – A área de suprimentos no Brasil vive uma das maiores transformações da sua história, daquele compras emissor de pedidos das décadas de 80 e 90 para uma das principais áreas estratégicas de qualquer organização hoje em dia.
Nas grandes empresas, o que era um setor eminentemente operacional hoje se tornou um verdadeiro motor estratégico nas organizações.
A digitalização, a automação e o uso de dados deram voz e protagonismo ao profissional de compras. Hoje nós não apenas compramos mas influenciamos resultado, construindo cadeias de suprimentos mais resilientes, desenvolvendo fornecedores, impulsionando sustentabilidade, gerando valor e competitividade nas empresas. Nos últimos anos a tecnologia veio para otimizar e para aquilo que realmente importa: um departamento de compras analítico e eficiente.
Lonax Play – Quais são os principais desafios para integrar compras, planejamento e logística em uma cadeia única e estratégica?
Fábio – No cenário atual integrar compras, planejamento e logística numa cadeia única e estratégica é um dos maiores desafios das empresas modernas. O primeiro grande desafio é a ruptura de bolhas, pois cada área da empresa tem focos, metas e prioridades próprias, e alinhar tudo isso com sinergia exige governança e comunicação muito eficientes. Podemos dizer que o segundo desafio é a qualidade e integração dos dados.
Sem informação confiável e em tempo real, o planejamento vai errar, compras reagirá tarde e a logística apagará incêndio.
Como exemplo podemos citar um item X que não tenha sido baixado no estoque ao ser entregue para produção; ao rodar o MRP não será verificado a baixa e a solicitação de compra não será emitida.
O terceiro ponto crítico é o alinhamento do planejamento com a realidade operacional: lead time de fornecedores e trade-offs logísticos precisam conversar diariamente para evitar surpresas e quebra de fornecimento.
O quarto desafio são os processos diferentes e sistemas que não se falam, o que gera retrabalho e perda de eficiência.
E, por fim, é necessária uma mudança cultural; criar um único modelo mental de forma que as pessoas não ajam de forma isolada e sim passem a pensar como uma cadeia unificada, colaborativa e com foco no resultado, transformando as três áreas em uma única.
Lonax Play – Como estruturar compras internacionais de forma estratégica, reduzindo riscos cambiais e logísticos?
Fábio – Entendo que para estruturar compras internacionais de forma estratégica é necessário sinergia em três pilares: planejamento cambial, gestão logística integrada e qualificação de fornecedores.
No câmbio, você deve definir um budget rate, avaliar a volatilidade e trabalho com ferramentas como hedge, contrato futuro ou travamento parcial, garantindo previsibilidade do custo total.
Na logística é necessário estruturar o lead time de ponta a ponta, desde a cotação até o desembaraço. Importante homologar e qualificar um operador logístico de confiança, conhecimento e credibilidade; ainda assim eu mantenho um plano de contingência para rotas, embarques e armazenagem.
Fundamental avaliar os potenciais fornecedores: desde sua localização, legislação do país de origem, capacidade produtiva, compliance, histórico de entregas, risco de eventos climáticos e risco país.
Com essa estrutura, reduzo riscos cambiais e logísticos, melhoro previsibilidade de custo e asseguro que o processo de importação seja alinhado com a estratégia da empresa.
Lonax Play – Qual o papel de programas de capacitação contínua, como o Gotas do Conhecimento que você criou, no fortalecimento da cultura de suprimentos?
Fábio – Este é um programa que implementei em uma empresa de prestação de serviços de engenharia que tinha várias unidades espalhadas pelo país. Começou com cinco pessoas e no último evento foram mais de 100 participantes! Ganha o colaborador e ganha a empresa quando todos conhecem bem os processos.
Da redação Lonax Play.
Lincoln Gomide, Jornalista Responsável.
Com revisão da equipe de Comunicação da Lonax.
